Sociedade dos poetas mortos: o grito da juventude.

 




Eu assisti Sociedade dos Poetas Mortos há uns três anos, quando eu tinha uns 13 anos. Naquela época, estava pandemia, o mundo todo meio triste, e eu também estava meio perdida, confusa. Mesmo sem entender tudo, fiquei encantada com o filme. Havia algo ali, nas cenas e nas palavras, que me tocava de um jeito difícil de explicar.


Recentemente, na aula de administração, o professor comentou sobre o filme, e isso me fez lembrar do quanto ele mexeu comigo. Por mais que Sociedade dos Poetas Mortos não seja um filme novo, ele é completamente atual. A adolescência continua sendo a mesma, independente da década. Pode mudar a moda, o estilo, os gostos… mas os adolescentes sempre serão rebeldes, confusos, tentando entender quem são num mundo que insiste em dizer o que eles devem ser.


O personagem principal, Neil Perry, representa exatamente isso. Ele é um garoto cheio de sonhos, mas vive preso nas expectativas do pai e da sociedade. No meio dessa confusão, ele acaba se perdendo e isso é o mais triste. Todo adolescente já se sentiu assim: sufocado, sem saber o que quer, o que pode, o que é.


Por causa dessa repressão, eles criam o clube a Sociedade dos Poetas Mortos. Aquele grupo é uma forma de escape, um espaço onde eles podem simplesmente ser. Longe das regras, das notas, das expectativas, eles se reúnem para ler poesia, rir, sonhar e existir de um jeito leve. É ali que encontram uma liberdade que o mundo dos adultos não permite.

Na vida real, às vezes os mais velhos desmotivam os mais novos não porque não acreditam neles, mas porque não tiveram coragem de ser o que queriam. Então, é como se tentassem impedir que os outros consigam o que não conseguiram.


O clube é a resistência contra isso um lembrete de que ser jovem também é lutar para continuar sonhando.


O pai do Neil é outro ponto marcante do filme. No final, o Todd fala que foi o pai que “matou” ele. Isso não é só físico, porque o Neil se suicida, mas emocional: o pai matou a alma dele, os sonhos, a liberdade. Depois da apresentação de teatro, que foi o momento mais feliz do Neil, o pai chega e destrói tudo aquilo. É como se apagasse a única chama que ainda restava. Isso simboliza a pressão que muitos jovens enfrentam: não suportar viver num mundo que não deixa você ser quem é.


O Professor Keating, vivido pelo Robin Williams, representa exatamente o apoio que todo adolescente precisa. Ele inspira, acredita, mostra beleza na vida e ensina a sonhar, mesmo num mundo que tenta esmagar os sonhos. Ele não salva o Neil, mas muda a forma como ele e os outros alunos enxergam a vida.


Um dos momentos mais bonitos do filme é quando o Todd, o garoto mais tímido, é incentivado pelo professor a criar um poema ali, na frente da turma. Ele começa inseguro, mas pouco a pouco deixa as palavras fluírem, até dizer:

“A verdade é como um lenço estendido,
que balança com o vento,
cintilando com as luzes, os sons e as cores.
Mas quando o vento para, o lenço cai,
e o rosto de Deus aparece sorrindo para nós.”

Esse poema simboliza o despertar da voz interior. Todd, que se via como alguém sem brilho, encontra dentro de si uma força poética que nem sabia que existia. O lenço descrito é como a juventude: leve, movida pelo vento das emoções, instável, mas viva. Quando o “vento para” e o “rosto de Deus aparece”, é como se ele finalmente se enxergasse sem máscaras, sem medo, sem o peso das expectativas. É um momento de libertação.


Às vezes, quando um filme ou série faz sucesso entre os jovens, os adultos dizem: “que história superestimada”. Mas é porque eles já passaram por essa fase. Para mim, Sociedade dos Poetas Mortosé poético porque tenho 16 anos e vivo essas dúvidas, essa confusão, essa vontade de ser livre. Talvez um adulto não veja da mesma forma, e tudo bem. A arte toca cada pessoa conforme o momento de vida em que ela está.


Quando eu escuto The Manuscript, da Taylor Swift, sinto que ela fala exatamente sobre aquilo que o filme Sociedade dos Poetas Mortos mostra: a dor e a beleza de crescer. A música é sobre se despedir de partes de nós mesmos aprendizados, erros, experiências mas sem esquecer o que vivemos. É uma forma de transformar cada capítulo da vida em memória, e perceber que mesmo os momentos mais difíceis têm valor.


Tem um trecho que sempre me chama atenção:


"The professor said to write what you know / Lookin' backwards might be the only way to move forward."

Essa frase reflete a ideia de que a arte, especialmente a poesia, nasce da experiência pessoal e da reflexão sobre o passado. No filme, o Professor Keating incentiva os alunos a explorarem suas próprias emoções e experiências, desafiando-os a pensar criticamente e a se expressarem autenticamente.


"Now and then she re-reads the manuscript / Of the entire torrid affair."

A releitura do "manuscrito" simboliza a busca por compreensão e significado nas experiências vividas. Assim como os personagens de Sociedade dos Poetas Mortos revisitam suas próprias jornadas de autodescoberta, a música sugere que, ao revisitar o passado, encontramos clareza e propósito.


Essa frase resume muito a sensação da adolescência e do filme. Às vezes, passamos por coisas que não podemos controlar a pressão da família, a escola, o medo de errar, mas mesmo quando a história muda ou acaba, ela ainda é preciosa. Para os personagens do filme, e para nós que ainda estamos vivendo essa fase, isso significa que cada experiência, cada emoção, mesmo dolorosa, nos constrói.


A música também fala sobre memória, sobre carregar as lições do passado sem ficar preso nelas. E é aí que ela conversa diretamente com a ideia da poesia no filme. Todd improvisa seu poema, Neil se joga no teatro, todos tentando criar algo que seja só deles. Taylor, de forma diferente, faz o mesmo em música: ela revisita o que passou, reflete sobre o que aprendeu e encontra beleza nisso. É sobre transformar dor, confusão e passagem do tempo em algo que vale a pena lembrar.


Para mim, isso é profundamente ligado à adolescência. Estamos sempre entre querer crescer e ter medo de deixar algo pra trás. 


Escutando a música, vejo que é possível dizer adeus a essa fase sem apagar os sonhos, a poesia e a intensidade que sentimos. É como se Taylor dissesse: “você vai mudar, vai seguir, mas tudo que viveu vai continuar com você”.

E é isso que conecta The Manuscript e Sociedade dos Poetas Mortos: ambos são sobre liberdade, expressão e memória. O filme mostra a forma física, a poesia e o grupo de amigos que se apoia; a música mostra a parte interna, reflexiva, o que carregamos dentro. Juntas, elas ensinam que crescer dói, mas também é lindo e que cada passo, cada verso, cada emoção vale a pena.


Mesmo que o final dele seja triste, a história do Neil marcou todo mundo os amigos, o professor, e a gente que assiste.

Sociedade dos Poetas Mortos não é só um filme antigo. Continua atual, porque sempre haverá jovens tentando se encontrar, professores apoiando, poesia para libertar, e memórias que carregamos para a vida toda.

“Carpe diem. Aproveite o dia.”
Mas, acima de tudo — 
aproveite quem você é agora.


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